Insumo importado não eleva competitividade da indústria

Setor perdeu mercado apesar de usar mais material de fora, em tese melhor

Silva Junior – 18.dez.14/Folhapress

Operário em linha de produção de indústria em Sertãozinho

 Para a CNI, burocracia, instabilidade cambial, sistema tributário e má gestão provocam perda de competitividade

FERNANDA PERRIN
DE SÃO PAULO

A indústria brasileira passou por uma transformação estrutural nos últimos 15 anos, ampliando o uso de insumos importados em sua produção. Mas, na contramão das expectativas, a mudança não melhorou sua competitividade: o setor perdeu mercado externo e interno.

Essa é a conclusão de um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que será divulgado nesta segunda (10). O próximo passo é entender o que deu errado.

Segundo a pesquisa, o coeficiente de insumos importados —indicador do quanto do consumo da indústria é suprido por produtos do exterior— saltou de 16,5% para 25% entre 2003 e 2011.

No período, os segmentos de vestuário e acessórios, madeira, máquinas e equipamentos, móveis e produtos de metal mais que dobraram suas importações.

Por outro lado, a fatia da produção nacional exportada caiu de 19,7% em 2005 (maior valor desde 2003) para 12,1% em 2014. Reflexo desse movimento, a participação brasileira nas exportações mundiais de manufaturados caiu de 0,82% para 0,59%.

“No fim da década de 1990, o Brasil era uma plataforma de re-exportação. As empresas importavam muito e exportavam muito, se estabelecendo aqui para vender para o mercado doméstico e latino. Isso acabou”, afirma Renato da Fonseca, gerente-executivo de pesquisa e competitividade da CNI e um dos autores do estudo, ao lado de Samantha Cunha.

CONTRADITÓRIO

A princípio, o movimento é contraditório: pesquisas apontam que aumento na importação de insumos leva à melhora na produtividade, supondo que esses produtos são mais variados, baratos e de melhor qualidade do que as opções nacionais.

O estudo aponta duas explicações para o aumento na presença de insumos importados: desvalorização do dólar entre 2002 e 2011 e a ampliação do mercado consumidor brasileiro, resultado das políticas de redistribuição de renda e acesso ao crédito.

A ascensão de uma massa voraz por consumo também pode ter impulsionado a indústria tanto a buscar insumos fora do país, após ter esgotado a oferta interna, quanto a priorizar esse público em detrimento do externo.

“O industrial vê o mercado aqui crescendo muito, sabe que tem uma dificuldade de competir lá fora e que tem o pessoal de fora tentando entrar aqui dentro. A empresa muda a estratégia para o mercado doméstico, porque aqui ele consegue competir melhor”, diz Fonseca.

Volatilidade do câmbio, burocracia alfandegária, falta de infraestrutura, sistema tributário e legislação trabalhista –questões frequentemente apontadas pela indústria para justificar o mal desempenho— são também apontadas como possíveis explicações para a perda de competitividade no período.

No entanto, Fonseca admite existir também um problema interno ao setor no Brasil: boa parte da indústria é mal gerida. Segundo o World Management Survey, projeto da London School of Economics que avalia a gestão de indústrias de 35 países, o Brasil está na 23ª posição.

Um projeto-piloto feito pela CNI com 23 empresas conseguiu um aumento de produtividade física de 40% a 60% apenas reorganizando a produção, “sem gastar um tostão com máquina”, diz o executivo da entidade.

Com a alta recente do dólar e a recessão, o setor tem se reorientado para o exterior, tentando suprir a queda na demanda nacional com a estrangeira. A virada tem ajudado a indústria a sobreviver à crise, mas não é suficiente – embora a fatia exportada tenha crescido desde 2014, isso acontece sobre uma produção menor.

FOLHA DE S.PAULO, 09 de julho de 2017 – Mercado

4º SEMTEC – Simpósio dos Ensinos Médio Técnico e Tecnológico

Tema: Empreendedorismo e Docência na Educação Profissional

A Educação Profissional e Tecnológica demanda que professores e alunos desenvolvam um perfil empreendedor, em consonância com o perfil técnico, para que se vençam os principais desafios do mundo atual.

O empreendedorismo, característica indispensável ao perfil profissional contemporâneo, é evidenciado por atribuições e por competências pessoais complementares às atribuições e competências específicas da formação profissional.

O empreendedorismo é essencial para a vida pessoal e profissional; é imprescindível que o ambiente educacional oferte possibilidades para o desenvolvimento do empreendedorismo no itinerário dos cursos técnicos.

As linhas de pesquisa propostas indicam potencialidades de trabalhos nas áreas de desenvolvimento de competências pessoais e de atribuições empreendedoras, metodologias de trabalho docente que visem ao protagonismo do aluno, assim como as atividades interdisciplinares, ou ligadas à gestão empreendedora, à eficiência em comunicação e ao fomento de ações de relacionamento no ambiente da escola.

Conforme concepção da Cetec, nos planos de curso elaborados pelo Gfac (Grupo de Formulação e Análises Curriculares), o Empreendedorismo é desenvolvido como tema transversal, delimitado pelas possibilidades apresentadas no perfil profissional e pelos setores produtivos, tanto em seu aspecto de empreendedorismo externo (voltado para abertura de empresas e desenvolvimento de negócios), como interno, na forma do intraempreendedorismo (voltado para o desempenho e diferencial profissional em sua inserção no mercado).

Convidamos a todos que socializem suas práticas, conforme as competências pessoais e atribuições empreendedoras, de acordo com as linhas de pesquisa estabelecidas, para que demonstremos o nosso compromisso com uma educação profissional qualificada.

Saiba Mais

13 respostas sobre o Novo Ensino Médio

Saiba por que a reforma está acontecendo, quais disciplinas permanecem obrigatórias, quando a mudança começará e mais

Por: Anna Rachel Ferreira e Laís Semis

Atualizado em 16 de fevereiro de 2017

A reforma do Ensino Médio foi sancionada no dia 16 de fevereiro, mas, desde que a proposta foi apresentada pelo presidente Michel Temer e pelo ministro da Educação Mendonça Filho, em setembro de 2016, ela tem gerado confusão. De lá para cá, surgiram muitas dúvidas sobre o que, de fato, ficou definido pelo texto e a partir de quando as mudanças vão começar.

Recebemos muitas perguntas na página do Facebook de NOVA ESCOLA. Abaixo, você encontra as respostas para as principais delas. Confira:

1) Quais disciplinas serão obrigatórias?
Apenas Matemática, Língua Portuguesa e Língua Inglesa serão obrigatórias para todos os alunos durante os três anos do Ensino Médio. No caso das comunidades indígenas, também fica garantido o ensino nas línguas maternas.

2) E Filosofia, Sociologia, Arte e Educação Física, não serão obrigatórias?
Serão, mas elas não necessariamente estarão contempladas como disciplinas na grade. O que fica definido é que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio, que ainda está sendo discutida e será responsável por 60% do currículo da etapa, incluirá obrigatoriamente conteúdos dessas quatro áreas nas aulas dos alunos dessa etapa. No entanto, esses conteúdos podem ser apenas temas transversais ou objeto de estudo dentro de outra disciplina específica. No caso de Educação Física, a prática será facultativa.

3) Por que as outras disciplinas não são obrigatórias, como Português, Matemática e Inglês?
A proposta da reforma do Ensino Médio é flexibilizar o currículo. Para isso, será preciso abrir espaço na grade curricular e rever as 13 disciplinas que atualmente a compõem. Assim, é necessário aguardar a homologação da BNCC para saber quais serão os conhecimentos considerados mínimos obrigatórios para todos os estudantes brasileiros da etapa e pensar em como organizá-los. Estabeleceu-se que 60% do currículo dos três anos do Ensino Médio será definido pela Base e os outros 40% serão flexíveis, de acordo com o contexto e necessidades locais. O fato de determinadas disciplinas não estarem descritas na reforma aprovada, como História, Biologia e Física, não significa que elas deixarão de existir.

4) O que acontece com a disciplina de Língua Espanhola?
Se quiserem e tiverem condições, as redes de ensino poderão ofertar outras línguas estrangeiras além da Língua Inglesa, que é obrigatória. Entre elas, está a Língua Espanhola, que é, inclusive, a segunda língua estrangeira recomendada pelo Ministério da Educação (MEC).

5) O que são os itinerários formativos?
A flexibilidade do currículo proposta pela reforma do Ensino Médio também implica que os alunos terão a oportunidade de escolher em qual área do conhecimento desejam se aprofundar. No texto aprovado do Senado, ficaram definidos cinco itinerários formativos possíveis: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação Técnica e Profissional. Porém, as escolas não são obrigadas a oferecer todos os percursos, nem disponibilizar a escolha de aprofundamento logo no 1º ano. Elas poderão escolher o que vão ofertar de acordo com a relevância para o contexto local e as possibilidades das redes de ensino a qual pertencem. Caso uma unidade educacional ofereça mais de um percurso, o estudante poderá optar por mais de um.

6) Qualquer pessoa poderá dar aula no Ensino Médio?
Não. Para lecionar em disciplinas como Português e Matemática, por exemplo, os profissionais precisam ter formação específica na área, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Os profissionais com notório saber reconhecido pela rede de ensino serão aceitos somente no itinerário de Formação Técnica e Profissional para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação ou experiência profissional. Essas pessoas precisarão, ainda, atestar que são graduadas na área em que vão lecionar e comprovar já ter tido experiências de ensinar em escolas públicas, privadas ou em empresas ou ter feito uma complementação pedagógica.

7) As mudanças passam a valer agora mesmo?
Não. Apesar de já entrar em vigor com a sanção, o processo de implementação do novo modelo é complexo e deve levar cerca de quatro anos para chegar às salas de aula.

8) Por que a reforma vai demorar para ser implantada?
A implantação depende principalmente da finalização das discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio, que só voltará a ser discutida em março. Depois da aprovação da BNCC, ainda será preciso adequar os currículos, formar os professores e rever todo o material didático, o que deve demorar quatro anos.

9) A reforma vale para as escolas públicas e privadas?
Sim. Tanto a reforma quanto as novas diretrizes curriculares que serão definidas pela BNCC são obrigatórias para todas as escolas do país.

10) Por que reformar o Ensino Médio?
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), calculado com base nos resultados de avaliações externas e taxas de evasão, estão estagnados em um patamar muito baixo de desempenho desde 2011. Os resultados ruins do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), publicados enquanto o tema já estava em discussão no Congresso, também serviram para justificar a necessidade de mudança. Além disso, questões como o alto índice de evasão, falta de identificação da juventude com a atual estrutura do Ensino Médio e necessidade de flexibilização do currículo foram apontados como disparadores da reforma.

11) O que acontece com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e as provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com essa mudança?
Todas as avaliações externas devem ser revistas e sofrer alterações a partir do que for definido pela reformulação da Base Curricular do Ensino Médio. As alterações do Enem já estão sendo debatidas pelo MEC, que lançou uma consulta pública para saber se o exame deve ser realizado em um ou dois dias, qual deve ser o formato e se a aplicação deve ser eletrônica. Ainda não há definições sobre as alterações.

12) Todas as escolas de Ensino Médio serão em tempo integral?
Não. A carga horária obrigatória atual dessa etapa de ensino é de 800 horas anuais (ou 4 horas diárias) cumpridas ao longo dos 200 dias letivos. A reforma prevê que, em até 5 anos, todas as escolas brasileiras aumentem a carga diária em uma hora, ou seja, serão, pelo menos, 1.000 horas anuais ou 5 horas de aulas por dia. Essa já é a realidade de escolas de São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina. No entanto, para ser considerado ensino em tempo integral, o tempo mínimo diário é de 7 horas ou 1400 horas anuais.

13) As escolas receberão ajuda financeira para aumentar a carga horária para tempo integral?
Para estimular que mais unidades ofereçam 7 horas diárias, a reforma criou o Programa de Fomento ao Ensino Médio em Tempo Integral, que prevê o envio de mais 2 mil reais por aluno por ano para auxiliar no aumento da carga. O primeiro edital do Programa, lançado no ano passado, contemplará 528 instituições nos 26 estados e no Distrito Federal, representando 266 mil matrículas. A lista das escolas selecionadas pode ser acessada aqui.

 

Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/4742/13-respostas-sobre-o-novo-ensino-medio

 

Qual será o futuro da Educação a Distância ?

Esta é uma pergunta difícil de responder, sobretudo por que alguns sistemas de educação ainda estão longe de utilizar a EAD de forma ampla e contínua, e também por divergências de opiniões por parte dos especialistas deste tema.

Com certeza a EAD já não é mais um futuro por estar presente em diversos ambientes de educação. A tendência é a de que ela ocupe um espaço cada vez maior nos modelos de aprendizagem disponíveis para as pessoas.

Uma grande questão nas discussões sobre a EAD sempre foi a de se os alunos aprendiam ou não os conteúdos compartilhados por esta metodologia educacional. Na discussão atual, e que ainda ocupará a agenda das universidades e empresas, é se este conhecimento aprendido pelos alunos pode ser aplicado de maneira efetiva na sociedade.

O conhecimento somente tem sentido se ele for útil para as pessoas. Portanto, devemos refletir sobre o verdadeiro cliente das universidades. Teremos de adotar uma visão mais ampla e refletir se o aluno é o cliente final ou é a sociedade que utilizará os conhecimentos adquiridos pelos alunos.

Não estamos discutindo a utilidade da EAD, pois ela já está inserida no ambiente da maior parte das universidades convencionais e corporativas.

A preocupação é a de como utilizar as metodologias que ela possui com a perspectiva de os alunos poderem agregar valor nas empresas que trabalham, isto é, aplicando com qualidade os conhecimentos na vida diária das empresas e organizações presentes na sociedade.

O primeiro passo é aproximar muitos sistemas de educação a distância da sociedade e do mundo corporativo para que se possa conhecer as reais competências que as empresas precisam. Com esta análise e utilização de metodologias educacionais adequadas, o design das atividades de desenvolvimento resultará em cursos de EAD efetivos e customizados para a realidade das empresas e sociedade em geral.

Uma vertente do futuro da EAD foi o exposto anteriormente e, além dela, existe um segundo ponto muito relevante que é o de como ela deve integrar os sistemas presencias de educação desenvolvidos pelas universidades convencionais, corporativas, escolas e empresas de treinamento.

A reflexão que está crescendo de forma vertiginosa no ambiente corporativo é a de como podemos utilizar a tecnologia, a distância ou não, dentro das salas de aula. O conceito é o da educação mediada por tecnologia, ou seja, um conceito mais amplo da EAD.

O modelo tradicional de sala de aula não acabará, porém sofrerá uma grande transformação e dentro desta está incluída a tecnologia educacional.

Em algumas empresas os alunos já podem utilizar tecnologias dentro das salas de aula, o que favorece a aprendizagem e, de forma conjunta, utilizam a EAD para estarem integrados com alunos presentes em outras salas, muitas vezes em outros países ou sem saírem do seu espaço de trabalho.

O futuro é vivermos em ambientes empresariais cada vez mais competitivos e com isto a palavra produtividade é uma das preocupações centrais por parte dos líderes organizacionais.

É muito importante mencionar que vários sistemas de educação já estão dentro destas tendências, porém precisamos ampliar estes conceitos cada vez mais.

Para que tenhamos produtividade três pilares devem ser trabalhados: tecnologia, inovação e educação. Portanto, a EAD ocupa um papel relevante neste cenário desde de que promova a aplicação efetiva dos conhecimentos aprendidos e esteja integrada aos sistemas presenciais.

Prof. Dr. Armando Lourenzo. Diretor da Universidade Corporativa da EY (Ernst Young) para Brasil e América do Sul, Diretor Técnico da Associação Brasileira de Educação Corporativa e Professor da USP e convidado da FGV.

Pensar com eficácia é preciso

GASTÃO REIS RODRIGUES PEREIRA*

 Alinhar incentivos corretos aos resultados pretendidos é condição sine qua nonpara sermos um país realizador. Nosso maior especialista nesse descaminho da coerência ao longo de nossa História, em especial da republicana, foi Roberto Campos. Seus artigos, ensaios e livros refletem essa angústia de ter olho em terra de cegos. O desastre da Lei da Informática foi emblemático. E o corajoso artigoAbertura já, de Gustavo Franco (Estadão, 29/11/2015), ilustra mais um de nossos erros trágicos de política econômica na área externa. Preferimos o aconchego do (limitado) mercado interno ao mercadão internacional.

Nosso propósito é buscar entender o fato de o brasileiro não ser treinado a pensar. A medida dessa calamidade é o fato de termos, a rigor, apenas um quarto da população funcionalmente alfabetizada.

 A importância de cultivar o hábito da leitura é uma daquelas obviedades que temos tido dificuldade de pôr em prática de modo abrangente. Nosso cacoete gramatical acentua a volúpia pela forma em detrimento do conteúdo. Repare, caro leitor, que a tônica de uma aula de inglês em filmes americanos ou ingleses é sempre debater um texto. A isso se soma a sábia tradição de resumir textos de 500 em apenas 80 palavras, o que lhes treina a concisão e a percepção para ir ao âmago das questões. A gramática nasce do texto no processo de aprender a destrinchar o pensamento do autor.

 Ainda me lembro do conceituado Instituto Carlos A. Werneck, no início da década de 1960, em Petrópolis, do dia em que meu professor de português (na prática, quase só de gramática) faltou e o diretor do colégio foi substituí-lo. Ele leu e debateu conosco um texto sobre o Rio Paquequer, que banha a região serrana fluminense. Qual cachimbo imaginário, que deixa a boca torta, meu raciocínio, na época, seguiu pela mesma vereda e me induziu a concluir “brilhantemente” que ele havia perdido uma bela oportunidade de dar uma boa aula de gramática…

 A segunda obviedade, questionável, de meus tempos de estudante era a seguinte: leia muito para escrever bem. A verdade é que ler muito não basta. É mandatório seguir a máxima de Simone de Beauvoir: “Escrever é um ofício que se aprende escrevendo”. Só aí me dei conta de que ler bem nos treina a seguir o pensamento do autor, mas é insuficiente para desenvolver o nosso. O fundamental é escrever com frequência.

 O Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, exige duas redações por semana de seus alunos, o que explica seu sucesso secular em ensinar a pensar. E o que teria sido o Brasil se tivéssemos ensino público de qualidade. Optamos pela “pedagogia” da aprovação automática, a garantia de ocupar os últimos lugares nas avaliações internacionais de linguagem, matemática e ciência. A mágica besta de ter bom resultado sem esforço.

 Quanto ao exercício de aprender a pensar, nada como a pesquisa do prof. Cláudio de Moura Castro, sobre o Senai, realizado quando estava no Ipea (1972). No início, fez pouco caso. Pensou que iria se deparar com mais uma escolinha do prof. Raimundo. Em seguida, se surpreendeu com a metodologia do aprender fazendo do Senai e seus resultados. Ainda hoje, na indústria, um profissional treinado no Senai é respeitado pela formação de qualidade que recebe.

 Cabe ainda comemorar, no caso, a convergência da inteligência prática com o raciocínio abstrato. O aluno oriundo de uma família de baixa escolaridade não traz de casa familiaridade com este último. Mas o aprender fazendo acaba por lhe dar a confiança e o domínio dos princípios gerais (abstratos) que estão por trás da prática do dia a dia. Com o passar do tempo, ele se sente tão equipado para pensar em termos abstratos quanto o jovem proveniente de famílias cujos pais tiveram acesso ao ensino superior e, portanto, foi habituado desde cedo ao uso desse poderoso instrumento.

 O próprio professor Castro confessou ter frequentado na juventude o chão de fábrica de uma metalúrgica, onde ele ia gazetear as aulas da sua entediante escola. Ele se livrou das gramatiquices e pôs a mão na massa da vida como ela é. Essa experiência incomum do tipo oficina do Senai foi uma bênção. Fez depois um doutorado em Economia nos EUA e é hoje autoridade em educação mundialmente respeitado. Nessa área, ocupou cargos de primeira linha em instituições internacionais. E continua escrevendo muito, e bem. Sua última batalha é contra o Plano Nacional de Educação, uma peça equivocada e inócua da “pátria (des)educadora” do governicho Dilma.

 Pensar com clareza e objetividade é a base sólida para agir, em especial para saber a diferença entre eficiência e eficácia, de que nos fala Peter Drucker. Fazer bem feito é importante, mas fazer a coisa certa o é mais ainda. Aquele hábito dos rabinos de dar contexto ao ato de pensar. Ao invés da resposta óbvia de que o cavalo mais rápido chegaria antes, eles diriam que isso dependeria de saber se o cavalo está indo na direção correta (eficácia). Essa costuma ser a pergunta que não nos fazemos, mas que Roberto Campos se fazia.

 Cabe, nessa linha, mencionar o exemplo de Brejo Santo, no interior do Ceará. Em cinco anos a cidade saiu da vala comum do tétrico desempenho das escolas públicas municipais para o primeiro lugar na avaliação do Ideb. Esse desempenho excepcional resultou da determinação de um jovem prefeito médico que fez da educação seu projeto político. O café da manhã dos alunos é ler e debater um bom texto. A nota obtida em 2013 pela cidade foi 7,2 (de 0 a 10), ante a média de aproveitamento nacional de apenas 5,2. E bem acima da meta nacional de 6 para 2020.

 Mas ser um país realizador exige combinar educação de qualidade com espírito empreendedor, ou seja, com a capacidade de agir, de fazer acontecer. Encolher o governo e superar o preconceito contra a atividade empresarial, elemento-chave do crescimento da produtividade, é o passo a ser dado para elevar o emprego e o salário real do trabalhador em bases permanentes, o sadio oposto do que o PT prometeu e não entregou.

 * GASTÃO REIS RODRIGUES PEREIRA É EMPRESÁRIO E ECONOMISTA/ E-MAIL: GASTAOREIS2@GMAIL.COM

Que escola é melhor? Uma questão sem resposta certa.

A escolha deve ser feita em família, respeitando os valores e o estilo de pais e filhos, recomendam especialistas

Tatiana Cavalcanti
ESPECIAL PARAOESTADO

 
Mudar o filho de escola não é uma decisão simples. Para fazer essa escolha, muitos pais tomam por base o desempenho dos colégios no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que foi divulgado no início de agosto pelo Ministério da Educação(MEC). Para esta
reportagem foi feito um recorte com as 50 escolas de São Paulo mais bem avaliadas na
prova, excluindo aquelas em que menos de 61 alunos participaram no ano passado – veja
nas páginas ao lado e nas seguintes cinco tabelas, com os dez colégios à frente em cada região da capital paulista.
A classificação no exame nacional pode ser um dos critérios levados em conta pela família.
Continue lendo em: 15-09-20-oesp-edu

Zygmunt Bauman: “Há uma crise de atenção”

SEGUNDA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2015 – O GLOBO

por Bruno Alfano/O Globo – 14.09.2015

 

Uma busca no Google com os termos “modernidade líquida” rende 187 mil resultados em 0,34 segundo. São, todos eles, “fragmentos de conhecimento”, na visão do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que discursou neste sábado no evento Educação 360.

O pensador defendeu que os educadores precisam estimular determinadas características que ficam prejudicadas com a utilização da tecnologia, “paciência, atenção e a habilidade de ocupar esse local estável, sólido, no mundo que está em constante movimento. É preciso trabalhar a capacidade de se manter focado.” Leia mais abaixo:

— A educação é vítima da modernidade líquida, que é um conceito meu. O pensamento está sendo influenciado pela tecnologia. Há uma crise de atenção, por exemplo. Concentrar-se e se dedicar por um longo tempo é uma questão muito importante. Somos cada vez menos capazes de fazer isso da forma correta — disse o pensador. — Isso se aplica aos jovens, em grande parte. Os professores reclamam porque eles não conseguem lidar com isso. Até mesmo um artigo que você peça para a próxima aula eles não conseguem ler. Buscam citações, passagens, pedaços.

Como o próprio Bauman mencionou, a modernidade líquida — definida nos resultados do Google como a época em que vivemos, caracterizada por “volatilidade” , “incerteza” e “insegurança” — norteou as obras do filósofo; ele escreveu cerca de 30 livros apenas em torno dessa maneira de enxergar a contemporaneidade.

— Não há como contestar que a internet nos trouxe grandes vantagens. A facilidade de acesso à informação, a facilidade com que podemos ignorar as distâncias… Lembro-me de que, quando era jovem, passava muito tempo na biblioteca tentando ler cem livros para encontrar um pedacinho de informação de que precisava. Agora, basta pedir para o Google. Em décimos de segundo ele dá milhares de respostas. Um problema foi eliminado: nós não precisamos passar horas na biblioteca. Mas há um novo problema. Como vou compreender essas milhares de respostas? — questionou Bauman, logo recorrendo à Grécia Antiga para para continuar. — Só agora, idoso, consegui entender Sócrates: “Só sei que nada sei”.

Há ainda, na visão de Bauman, outras crises que chegam com a internet e precisam ser superadas. O filósofo defende que vivemos com cada vez menos paciência, pela quantidade de informação que recebemos ao mesmo tempo. E, quando não temos isso, o resultado é a irritação.

— Se demoramos mais de um minuto para acessar a internet quando ligamos o computador, ficamos furiosos. Um minuto só! Nosso limiar de paciência diminuiu. As informações mais bem-sucedidas, que têm mais probabilidade de serem consumidas, são apenas pedaços — diz o polonês. — Outra coisa é a persistência. Conseguir algo contém em si um número de fracassos que faz com que você perca tempo e tenha que recomeçar do zero. E isso é muito complicado. Não é fácil manter essa persistência nesse ambiente com tanto ruído e tantas informações que fluem ao mesmo tempo de todos os lados.

Todo esse novo cenário, explicou o pensador à plateia de educadores, desafia e transforma a posição secular do docente. Para Bauman, “não há como voltar à situação em que o professor é o único conhecedor, a única fonte, o único guia”. E dá caminhos:

— Não há como conceber a sociedade do futuro sem tecnologia. Então, se não pode vencê-la, una-se a ela. Tente contrabalancear o impacto negativo, como a crise da atenção, da persistência e de paciência. É preciso ter determinadas qualidades se você deseja construir conhecimento e não só agregá-lo: paciência, atenção e a habilidade de ocupar esse local estável, sólido, no mundo que está em constante movimento. É preciso trabalhar a capacidade de se manter focado.

 

Educação desigual

 

Hoje, de acordo com o filósofo, a educação reproduz privilégios em vez de aperfeiçoar a sociedade. Ele lembra que, nos EUA, 70% dos alunos na universidade vêm das classes mais altas, enquanto só 3% são das camadas de renda mais baixa. Segundo Bauman, essa é “uma forma de reafirmar a desigualdade social”, tema do livro “A riqueza de poucos favorece a todos nós?”, o mais recente lançamento (no mês passado) do escritor no Brasil.

— Uma das tarefas da educação é conferir a todas as pessoas que tenham talento a possibilidade de adquirir conhecimento para que isso acabe tendo um uso criativo para a sociedade. Mas esse objetivo não está sendo perseguido em muitos lugares. Na Grã-Bretanha, os preços, em vez de diminuírem para as pessoas com menos dinheiro, vão subindo. E cada vez menos pais têm a possibilidade de economizar a quantia necessária para seus filhos cursarem a universidade.

O problema, segundo Bauman, é que a educação está pressionada pela política e pelos interesses corporativos. E isso, explica ele, se reflete na mente do estudante. O polonês critica o fato de os alunos escolherem a área de estudos baseados “no fato de se vão conseguir emprego ou não”.

— Se você quer conhecimentos especializados, que são as condições para um bom emprego, precisa estudar quatro ou cinco anos, e isso requer muito esforço. Mas, se você está sendo guiado pelo atual estado de coisas, tudo vai mudar nesse tempo de estudo. E você vai perceber que não vai conseguir encontrar um uso rentável para o tipo de
qualificação e habilidade que adquiriu nesses anos de trabalho árduo na faculdade — argumenta.

Mesmo após toda essa lista de desafios, a mensagem que o dono de uma das mais influentes mentes no mundo deixou para o auditório na noite de ontem foi de pura esperança:

— Educar, senhoras e senhores, é fazer um investimento nos próximos cem anos.

(via O Globo)

Ensino técnico ainda enfrenta preconceito

SEXTA-FEIRA, 4 DE SETEMBRO DE 2015 – O ESTADO DE S.PAULO

ÁLVARO CAMPOS

Especialistas defendem maior proximidade entre escolas técnicas e mercado de trabalho e maior flexibilidade nos currículos

A educação profissional no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos graças, em parte, ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que, mais do que oferecer bolsas, estruturou a área. Mesmo assim, ainda é preciso vencer um velho preconceito arraigado na sociedade de que esse tipo de formação seria inferior ao ensino superior clássico das universidades.

Especialistas reunidos no evento Fóruns Estadão Brasil Competitivo – Educação para o Trabalho, realizado com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na terça-feira, citaram a necessidade de maior aproximação entre escolas técnicas e mercado de trabalho e de maior flexibilidade dos currículos, já que o rápido avanço tecnológico altera as competências exigidas dos profissionais.

O secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação , Marcelo Feres, lembrou que o ensino técnico no Brasil tem quase 100 anos de história, tendo começado no início do século 20 com os liceus profissionalizantes. Em 2014, foram 1,79 milhão de matrículas nesse tipo de curso, um crescimento de 23,6% ante o ano anterior, sendo 52% na rede pública.

Segundo ele, a meta 11 do Plano Nacional de Educação, que prevê triplicar o ensino profissional até 2024, é ousada, mas reflete um desejo da sociedade, que passou a dar mais valor a esse tipo de formação. “O alcance dessa meta depende de esforços conjuntos do governo, setor produtivo e sociedade”, comentou. Para Feres, isso não pode ser feito de forma muito acelerada, caso contrário não seria sustentável. “Temos de equilibrar o crescimento de matrículas com a qualidade dos cursos. Esse é o caminho que estamos priorizando.”

Articulação. Feres lembrou que um dos desafios é implementar um sistema nacional de avaliação da educação profissional, já que o que existe atualmente são análises concentradas em instituições e cursos. O secretário defendeu também uma maior articulação entre instituições de ensino e o setor produtivo. “É preciso romper com a cultura academicista essa dualidade do processo de formação entre fazer e pensar.”

Já o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, afirmou que a qualidade da educação no Brasil está mais perto da África do que dos países desenvolvidos. Ele apontou que só recentemente o País atingiu um tempo médio de escolaridade de 7,5 anos, o que significa 100 anos de atraso em relação aos países desenvolvidos, que registraram esse mesmo número no início do século passado.

O especialista comentou ainda que, enquanto na Áustria 76% dos jovens fazem um curso profissionalizante concomitantemente com o ensino tradicional, no Japão são 70% e, na Alemanha, 50%. Já no Brasil, esse índice está em torno de 8,5%. “Mais de 80% dos jovens no Brasil não vão para as universidades. É razoável não instrumentalizar essa juventude para o mercado de trabalho? Isso causa impacto na geração de riqueza da sociedade brasileira, na produtividade do trabalho.”

Debate. Iuri Pitta (Estado), André Portela Souza (FGV), Claudia Costin (Banco Mundial) e Fernando Tourinho (Robert Bosch) discutem a importância do ensino técnico no Brasil   Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO

É preciso remover os preconceitos em relação à educação profissional, segundo Lucchesi, e isso pode ser um contraponto à grande participação das ciências humanas no ensino superior do Brasil. Segundo ele, de cada 100 graduados nas universidades brasileiras, só cinco são engenheiros, um dos menores níveis do mundo.

A diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin, tem uma visão semelhante sobre o ensino técnico no Brasil. Para ela, é preciso repensar o sistema. “A demanda mundial está migrando para competências não rotineiras. O processo de automatização é enorme, a robotização vai fazer com que muitas profissões desapareçam. Se o jovem não tiver capacidade de se reprogramar, as coisas vão se complicar. ”

Claudia apresentou uma visão um pouco mais otimista que os outros palestrantes. Segundo ela, a taxa de conclusão do ensino básico nos últimos 15 anos teve grandes avanços e, mesmo em termos de qualidade, as coisas melhoraram. A especialista citou o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, conhecido pela sigla Pisa, que mostra que o Brasil foi o País que mais avançou em matemática de 2003 a 2012, apesar de ainda ter pontuação baixa.

“O Brasil está imerso numa crise, mas precisamos ver além. Às vezes, pensamos muito na conjuntura e esquecemos que o País está construindo coisas para o futuro”, comentou, citando como exemplo de caso de sucesso a feira WorldSkills, realizada no mês passado, na qual o Brasil foi o maior medalhista.

Lucchesi apontou que um dos argumentos para vencer o preconceito com o ensino técnico e atrair mais jovens pode ser via salários. Segundo pesquisas, o pagamento inicial médio de um profissional técnico é de R$ 2 mil, chegando a R$ 6 mil em dez anos. “Isso já é competitivo com o ensino superior, e o jovem começa a vida profissional antes”, apontou. É uma forma também de contemplar a classe C, onde muitos adolescentes não têm condições de fazer cursos de engenharia, por exemplo, que exigem uma dedicação exclusiva.

Gestão. Questionado sobre o Orçamento de 2016, apresentado pelo governo com um déficit de R$ 30,5 bilhões, o secretário do MEC afirmou: “É falso dizer que não haverá impacto, mas isso não paralisa os esforços que vêm sendo desenvolvidos. A oportunidade que se abre neste momento é de criatividade”.

Lucchesi apontou que o Brasil investe quase 6,6% do Produto PIB em educação, mais do que alguns países desenvolvidos e dentro da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. “Temos uma enorme deficiência de qualidade na educação, mas o avanço precisa ir além da questão alocativa. ”

Simpósio dos Ensinos Médio, Técnico e Tecnológico: Profissionalização Docente

Simpósio dos Ensinos Médio, Técnico e Tecnológico terá por objetivo proporcionar o compartilhamento de reflexões e discussões sobre o tema: A Profissionalização Docente.
Para participar deste Simpósio, os professores e gestores podem escolher o dia de seu interesse, de acordo com os temas que estarão em pauta, pois as inscrições serão realizadas separadamente para cada um dos dias.

Data: 20 e 21/05/2014

Local: Rua General Couto Magalhães, 145 – Santa Ifigênia – São Paulo – SP (011) 3324-3300 – (metrô Luz)

Inscrições: www.cpscetec.com.br/ceteccap

Responsável: Professora Carmem Bassi Barbosa

Cetec Capacitações