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Fora da escola
Dos 34 milhões de jovens urbanos de 18 a 29 anos, 21,8% não chegaram a concluir a 8ª série e podem se marginalizar
O PROBLEMA é doloroso e reaparece com sua mais recente roupagem estatística: entre os 34 milhões de jovens de 18 a 29 anos domiciliados nas cidades brasileiras, 21,8% têm o curso fundamental incompleto -ou seja, não concluíram a oitava série- e 2,4% são formalmente analfabetos, o que faz pensar em quantos o serão de fato.
Os dados, compilados a partir da Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, estão em relatório da Secretaria Geral da Presidência da República, reproduzidos em reportagem da Folha.
A incidência do analfabetismo e da evasão escolar difere entre Estados e regiões. Alagoas, com 46%, encabeça a lista dos que não concluíram o curso fundamental ou não foram alfabetizados, enquanto São Paulo, com 15%, exibe os resultados menos assustadores. Em termos regionais, esses jovens excluídos aparecem em maior proporção (35%) no Nordeste e menor (18%) no Sudeste.
Esse quadro, em nada encorajador quando se leva em conta a necessidade de qualificar mão-de-obra, tem causas mais complexas do que as imaginadas pelo senso comum. O jovem não deixa simplesmente de freqüentar a escola porque precisa trabalhar e sustentar a família.
Trabalho divulgado no ano passado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) demonstra ser esse o caso de apenas 17% do 1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos que abandonou os estudos.
Para refutar mais um pouco as idéias preconcebidas, 44% dos que não estudam mais nessa faixa de idade também não trabalham. Ao justificar a razão pela qual abandonaram a escola, quatro em cada dez jovens disseram ter perdido o interesse ou a convicção de que a escolaridade os ajudaria a conquistar um bom emprego. Estão distantes os tempos em que a falta de vagas ou a dificuldade de transporte para chegar a uma escola distante eram os fatores preponderantes na evasão.
Mesmo a gravidez entre adolescentes é vista como um elemento que dificulta a volta à escola, e não propriamente como a causa de abandono. Boa parte dessas ex-estudantes já se evadira quando engravidou.
Estamos, portanto, diante de um problema de inadequação entre aquilo que a escola oferece e aquilo que as vítimas da evasão dela esperavam. O ensino como é ministrado diz pouco aos alunos. Está patente que os atuais currículos transmitidos por professores menos inspirados não conseguem despertar o interesse de suas classes.
Entre os que não estudaram e os que estudaram por um período insuficiente, o país está produzindo uma nova geração de marginalizados.
Folha de São Paulo - Opinião - 26/01/2008